terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Regular funcionamento das instituições democráticas.



É este o lugar-comum empregue nas três últimas décadas pelos políticos que têm ocupado o poder, depois da legitimidade imposta pelo sufrágio estar posta em causa. É o que faz a variação estatística de números frios do desemprego, do desequilíbrio da balança de transacções, das disparidades de rendimentos, do produto interno bruto, do banco alimentar contra a fome, do défice, das finanças públicas, dos atentados ao aparelho produtivo do país, do roubo legitimado por uma justiça cara, morosa e inacessível. Estaria aqui todo o dia a enumerar as causas do desastre económico e social desta minha terra, não fora a manobra de diversão mediatizada dos golpes e intrigas palacianas do quotidiano, os fait-divers sobrepostos à factualidade da causa-efeito, a fulanização da política em detrimento dos projectos e, em suma, a mediocridade das pessoas.
Disse o Fernando Pessoa que, o homem é um animal irracional. Não poderia estar mais de acordo com ele, se contextualizar estes factos com a sabuja política feita por homens; em especial, com os homens que não estão movidos por ideais ou alguma dose de utopia; que fazem da nobre actividade uma carreira política de evolução por diuturnidade; que não se abnegam pela lógica de defesa do mais fraco; que acicatados pelas novas teorias dos gurus da psicologia positiva e formados pelas mais competentes escolas de ciências politicas e sociais se transformam em comentadores de média (para não lhes chamar outra coisa). É para mim incompreensível a indecisão de voto se quiser ser honesto e pragmático, numa lógica actual de governos em maioria.
Assim vivemos 48 anos e assim viveremos num estado pouco Kantiano, de onde as minorias informadas se sobrepõem às maiorias desinformadas, tal qual o fascismo cultural de que Pier Paolo Pasolini falava.
Pois, na minha lógica, a lógica de alguma democracia resquícia da racionalidade, não deixarei de ser aquilo que sempre fui; No dia que o fizer, será porque não o terei sido nunca na realidade – parafraseando o Saramago.
Haverá uma minoria que contesta, reclama, critíca e não deixará passar impune; sobretudo, amará esta terra e este povo que tantas vezes não merece ser assim amado.

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