Consumimos os dias em degladio. Gáudio do ego este circo de "panem et circensis" das almas. Comanda o ror das emoções e frustrações. Sería isto tudo antítese o morrer em silêncio, passar incólume e fugazmente na travessia da vida; acossado como uma besta que não reconhece a sua irracionalidade. Ao invés, exprimimos a essência do ser na diversidade que custará sempre aos outros entender. Os que buscam a identificação, as tribos, a idolatração, sairão sempre e rapidamente desiludidos e gorados aos primeiros sinais de incompreensão do outrem.
A diversidade é o que nos une. É o gerador de ódio que alimenta a fome da racionalidade. É o que nos leva ao inevitável fim dos tempos. Onde estão os iluminados que não perfilham estes passos? Passeiam-se crentes ou descrentes? Camuflam-se na exibição descomplexada das pequenas obras da sua vida? Têm ou terão uma aura ou halo e, quer queiram ou quer não, contribuem para o caos da sapiência que é esta espuma dos dias? Têm asas?
A histeria é que sem dúvida fala mais alto. O mundo não é assim tão inteligível e não é tão grande quanto isso; tudo é de uma pequenez incomensurável.
Admito ter vivido até hoje, como muitos, sob a promessa de a troco da felicidade eterna, viver como um imbecil feliz. O imbecil é o que não se questiona. Questiono-me sobre o Deus que não teve oportunidade ou vontade de se apresentar de forma inequívoca e inquestionável. É isto que legitima a minha liberdade mas que aumenta também exponencialmente as minhas dúvidas e questões sobre alguns dogmas; a minha deferência para com o próximo também é acrescida, o que em certas circunstâncias muito me apraz. Porventura terá tido este Deus manifestações que não vislumbrei ou reconheci...que sei eu, pessoa que não distingue uma azémola, ainda que esta voe, absorto que estou sempre em algo...
Em pequeno, aquando da minha primeira comunhão, nos momentos que precederam este importante acto de fé, fiz a minha primeira confissão a um Padre irlandês. Confessei-lhe o que tinha feito (que fiquei a saber do pecado original) e o que não fiz (por receio de não ser igual aos pecadores normais), tudo por receio de uma réplica divina ou terrena que se remiu a troco de "avés-Marias" e "Pais-nossos". Inventei os pecados que viria a fazer porque alguem os quiz ouvir e assim submeter-me a uma ideia de ordem na terra e nos céus um pouco medievalesca para os tempos modernos.
É estranho este coadunar de hábitos, concomitante com o homem de hoje. É o homem de hoje igual ao de ontem?
Assim se obtém a paz; seguindo o "manual de maus costumes", escrito em variadas versões (o novo e o velho) que nos confundem. Poderíamos ter seguido a "Ilíada de Homero", mas não foi o caso. Há quem hoje siga o Harry Potter, ou uma carreira profissional. Seguimos o Deus que sacrificou o filho, o cordeiro, o "Agnus Dei". Transubstanciamo-lo e não lhe seguimos os passos. Todos queremos ser o Cristo, mas na hora da diferenciação somos a sua antítese, fazendo actos de contrição, carpindo e balbuciando "mea culpa, mea massima culpa" num ritual de quotidiano que os tempos já banalizaram.
Estranho mundo este. Talvez no próximo em que vier a estar, compreenda melhor a nova versão de Deus que se me apresentar.
Admito ter vivido até hoje, como muitos, sob a promessa de a troco da felicidade eterna, viver como um imbecil feliz. O imbecil é o que não se questiona. Questiono-me sobre o Deus que não teve oportunidade ou vontade de se apresentar de forma inequívoca e inquestionável. É isto que legitima a minha liberdade mas que aumenta também exponencialmente as minhas dúvidas e questões sobre alguns dogmas; a minha deferência para com o próximo também é acrescida, o que em certas circunstâncias muito me apraz. Porventura terá tido este Deus manifestações que não vislumbrei ou reconheci...que sei eu, pessoa que não distingue uma azémola, ainda que esta voe, absorto que estou sempre em algo...
Em pequeno, aquando da minha primeira comunhão, nos momentos que precederam este importante acto de fé, fiz a minha primeira confissão a um Padre irlandês. Confessei-lhe o que tinha feito (que fiquei a saber do pecado original) e o que não fiz (por receio de não ser igual aos pecadores normais), tudo por receio de uma réplica divina ou terrena que se remiu a troco de "avés-Marias" e "Pais-nossos". Inventei os pecados que viria a fazer porque alguem os quiz ouvir e assim submeter-me a uma ideia de ordem na terra e nos céus um pouco medievalesca para os tempos modernos.
É estranho este coadunar de hábitos, concomitante com o homem de hoje. É o homem de hoje igual ao de ontem?
Assim se obtém a paz; seguindo o "manual de maus costumes", escrito em variadas versões (o novo e o velho) que nos confundem. Poderíamos ter seguido a "Ilíada de Homero", mas não foi o caso. Há quem hoje siga o Harry Potter, ou uma carreira profissional. Seguimos o Deus que sacrificou o filho, o cordeiro, o "Agnus Dei". Transubstanciamo-lo e não lhe seguimos os passos. Todos queremos ser o Cristo, mas na hora da diferenciação somos a sua antítese, fazendo actos de contrição, carpindo e balbuciando "mea culpa, mea massima culpa" num ritual de quotidiano que os tempos já banalizaram.
Estranho mundo este. Talvez no próximo em que vier a estar, compreenda melhor a nova versão de Deus que se me apresentar.


